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Um novo conceito em jornal

Publicado em 18/06/2015
Colunista: Adriano Correa

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Agito Financeiro


O que se espera da escola ?

Quando atuava como executivo de vendas de uma grande multinacional, minha rotina de trabalho era entender o funcionamento do negócio do meu cliente. Foi então que, em uma conversa com um diretor de uma montadora, soube que um engenheiro enviado pela matriz veio à planta brasileira conhecer a linha de montagem de um automóvel que trazia alguns problemas para a empresa. Ele começou da etapa final da produção. Já nesse ponto, ele mandou parar a produção e fez isso em cada uma das fases de montagem, até interromper a linha toda, dizendo em sua língua de origem, “não podemos continuar produzindo isso, temos que rever nossos métodos”.

Quando olho para a necessidade crescente das empresas por produtividade e inovação, ou seja, elas demandam um produto melhor para empregar em sua cadeia produtiva, e por outro lado vejo a “linha de produção” de formação dos novos profissionais, tenho vontade de fazer a mesma coisa que fez o engenheiro: mandar parar tudo.

Alguns poderão pensar que estou me referindo à escola pública mas o problema é geral. Prova disso é o resultado da pesquisa do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em que 80% das empresas acham difícil encontrar habilidades socioemocionais como empatia, comprometimento, responsabilidade, dentre outras.

Um outro dado dessa pesquisa do BID revela ainda mais intrigante:  55% das empresas dão prioridade maior para habilidades sócio emocionais, 30% para habilidades de conhecimento e apenas 15% para habilidades de conhecimento técnico.

Quando a empresa recebe um funcionário novo sem o mínimo de preparo da escola, cabe a ela decidir, investir seu dinheiro para capacitá-lo ou dispensá-lo? Nenhuma das alternativas parece boa, pois isso acarreta custos para a empresa ou para a sociedade.

Em outras palavras o quadro é ainda pior, nosso sistema educacional não está conseguindo produzir nem pessoas capacitadas nem bons profissionais, tudo por que, aotentar proteger o jovem com palavras como especial, inteligente e com potencial, na maioria das vezes mente sobre a real condição do aluno para preservar sua auto estima, deixando que o mercado de trabalho tenha esta difícil tarefa de lhe dizer que ele não serve. É como se um rapaz pedisse para sua mãe conversar com a moça para terminar o namoro.

Não é chegada a hora de parar a produção e rever o que estamos fazendo com esta geração e com o país ?

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