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Cidade: Ubatuba
Publicado em 04/07/2019

Choro e tempestade: irmãos relatam apuros após 24h à deriva na Polinésia Francesa


Barco 'parecia sumir debaixo d'água', diz post. Celso Pereira Neto e Lucas Neto choraram, se incentivaram e lutaram para frear veleiro em meio a fortes ondas e vento

 

À deriva nas águas daPolinésia Francesa depois de sofrerem um acidente e perderem o leme do veleiro, os irmãos brasileiros Celso Pereira Neto e Lucas Pereira relataram os apuros e as emoções das primeiras 24 horas do que classificaram como "nosso maior perrengue". Moradores de Ubatuba, no litoral de São Paulo, eles se lançaram ao mar há 16 meses para dar a volta ao mundo a bordo do Katoosh, construído pelos pais. Em meio a grandes ondas e fortes ventos , aguardam a calmaria a duras penas para tentar instalar o leme reserva e tocar o barco rumo ao "sonho de família" .

Pelo Instagram, Celso contou que os dois elaboraram um plano de ação para preservar o barco até sábado, quando deve chegar a calmaria. Sabiam que, segundo a previsão do tempo, "a situação que já estava ruim iria piorar de hora em hora", com auge da tempestade às 23h (horário local). Segundo o velejador, os ventos chegaram a mais de 110 km/h e a embarcação parecia "sumir debaixo d'água" por instantes com as ondas.

"Ficamos sentados no chão da cozinha, calados, por uns 10 minutos. As ondas lá fora explodindo no costado do veleiro, nós à deriva, sem rumo... Não estávamos acreditando no que estava acontecendo, parecia que a qualquer momento iríamos acordar e tudo aquilo teria sido apenas um pesadelo...", relatou Neto, antes do auge da tensão.

Segundo Neto, um "sentimento ruim" tomou os irmãos, "um nó na garganta". Eles se olharam e perceberam que sentiam a mesma angústia.

"Foi triste ver meu irmão daquele jeito... Chegamos mais perto e ainda no chão nos abraçamos... Choramos! Não de medo, não. Aquelas lágrimas eram, na verdade, de tristeza Bater em algo no meio do mar, perder o leme e depois todo esse perrengue? Correndo o risco de perder o barco?", contou o velejador.

Na madrugada de quarta-feira, os irmãos haviam explicado que ficar sem o leme é "uma das piores situações que podem acontecer" em veleiros. Eles estão sem controle do barco e são empurrados "para onde o vento quiser", com o risco de aproximação de ilhas e pedras. "Está chacoalhando para burro", contou o pai dos jovens ao GLOBO.

 

Os irmãos Celso Pereira Neto, de 26 anos, e Lucas Pereira, de 23, zarparam em março de 2018 para dar a volta ao mundo a bordo do veleiro Katoosh Foto: Reprodução/Instagram

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