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Um novo conceito em jornal

Cidade: Ubatuba
Publicado em 31/07/2015

Paulista de Surf Profissional acontece em Ubatuba um fim de semana antes do Super Surf


Realizada desde 1980, a disputa pelo título paulista volta aos primórdios dos “picos” de surf no Brasil, com a 2ª etapa do Maresia Paulista de Surf Profissional, na Praia Grande, em Ubatuba, nos próximos dias 8 e 9 de agosto, fim de semana que precede o Super Surf. O local deu origem aos primeiros campeonatos de surf do país, ainda no início da década de 1970.
Quem lembra bem dos tempos passados é Paulo Jolly Issa, que promoveu os famosos Festivais Brasileiros de Surf, a partir de 1971, e também foi um dos idealizadores do Circuito Paulista de Surf Profissional, pioneiro no Brasil, unindo as associações de surf de Ubatuba e de Santos. A estreia foi em 1980 e as três primeiras edições foram bianuais, com os dois primeiros títulos ficando com o santista Almir Salazar.
Paulo Issa não esquece daquele passado remoto desbravando as praias para o surf. Sua história se confunde com o início da modalidade em Ubatuba. Ele começou a frequentar a cidade em 1964 e três anos depois levou seu longboard feito de fibra de vidro, grande novidade para época, para praticar o surf. “O começo foi na praia da Enseada e naquele mesmo ano desbravamos a Praia Grande. Não tinha viva alma lá em pleno verão. Um sonho. Quase não se via a praia da estrada, pois o jundu nativo era alto. Começamos a surfar no meio da praia e depois fomos indo para o Baguari”, recorda.
No ano seguinte, em 68, os surfistas chegaram até Itamambuca. Ainda não existia a Rio-Santos e a estrada era de terra, pela trilha da Cassanga. Mas naquele tempo, a praia Grande era o principal cenário nacional do surf. Foi lá que teve origem o famoso Festival Brasileiro, vencido duas vezes pelo ícone Rico de Souza. Mas o primeiro vencedor foi o próprio Paulo Issa.
“Em 1970, a Boate da Pesada em Ubatuba promoveu um campeonato dos locais. Não sei como eu ganhei. Acho que foi obra do destino, pois no ano seguinte, me vi na obrigação de dar continuidade e fazer outra versão”, recorda.
Na ocasião, a divulgação foi com cartazes de cartolinas, fixadas em Ubatuba e depois em Guarujá. “Segui com o meu fusquinha pela estrada costeira. Fomos direto para o Centrinho e colamos os posters e voltamos. Não falamos com nenhum surfista. Um dia antes do evento, avistamos uma caravana de carros com pranchas, com uns 20 surfistas”, conta.
A participação dos guarujaenses criou estímulo e Paulinho quis ampliar o leque, convidando os cariocas. “Não tínhamos patrocínio, premiação de troféus e medalhas até o 15º lugar. Distribuímos cartazes em Guarujá, Santos, São Vicente, Rio de Janeiro, Niterói e mandamos para o Sul, para o amigo Paulo Sefton”, diz.
Sem ondas em janeiro, foi transferido para julho de 72. Foram 90 surfistas, com Rico sendo bicampeão e depois Marcos Berenguer sendo o vencedor. “Começamos na praia Grande e passamos para Itamambuca, onde permaneceu depois. E assim começou a saga dos Festivais”, revela Paulo Issa.
A experiência rendeu expertise no assunto, chegando ao Circuito Paulista. “Que preparou a base para toda uma geração de campeões, como Paulo Rabello, família Mattos, Família Salazar, Ricardo Toledo, Tadeu Pereira, Orelhinha, Tinguinha Lima, Taiu Bueno, Wagner Pupo”, cita, com a certeza de que sua contribuição foi importante para o surgimento da geração Brazilian Storm.
“Sabia que esse dia chegaria, com certeza. Com esta galera com a cabeça no lugar e com foco. O que impressiona neles é que há, lá fora, uma tradição forte dos surfistas de outros países e eles superaram tudo. Eles nos enchem de orgulho”, elogia o organizador do primeiro Circuito Paulista e que promoveu mais de 160 campeonatos, alguns emblemáticos. “Muitos com parcos recursos, onde o cartaz parecia uma colcha de retalhos, mas isso não impedia de fazê-los”, ressalta Paulo, enaltecendo o suporte financeiro de sua fábrica de pranchas, a Squalo Surfboards. “Me dava suporte financeiro para continuar com os eventos”, completa.
Segunda Etapa: Em sua 32ª edição e com o patrocínio da Maresia pelo nono ano consecutivo, o Circuito Paulista terá três etapas este ano. Cada uma com R$ 30 mil em premiação, sendo R$ 8 mil ao vencedor, além de mais R$ 1 mil para quem faturar a Oveboard Expression Session, com a manobra mais radical.
A abertura foi na Praia de Maresias, em São Sebastião, com vitória do jovem talento Marcos Corrêa. A final será nos dias dias 3 e 4 de outubro, na praia de Pitangueiras, Guarujá. O campeão paulista ganhará uma moto, oferecida pela Tent Beach e o campeão do ranking (que pode ser de outro estado) fatura uma passagem para o Havaí, numa parceria com a Nias Tour.

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